Flávio chama 8 de Janeiro de ‘farsa’, usa colete à prova de balas e ataca Moraes em ato na Avenida Paulista

Foto: Charles Vieira/Divulgação/Campanha Presidencial
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) usou o discurso durante ato de campanha realizado na Avenida Paulista, em São Paulo, para defender o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), classificar os episódios de 8 de Janeiro como uma “farsa” e atacar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A manifestação, realizada na tarde de segunda-feira (7), teve como palavras de ordem “Fora Lula, Fora Moraes” e reuniu aliados políticos e apoiadores do candidato.
Segundo levantamento do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap e da organização More in Common, o evento alcançou o pico de 28,5 mil pessoas às 16h32. Considerando a margem de erro de 12%, a estimativa aponta para um público entre 25,1 mil e 32 mil participantes no momento de maior concentração.
‘Segunda facada’
Ao subir ao palco, Flávio relembrou o atentado sofrido por Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral de 2018, quando o então candidato à Presidência foi esfaqueado em Juiz de Fora, em Minas Gerais. Flávio afirmou que esteve ao lado do pai no 7 de Setembro seguinte, enquanto Bolsonaro recebia atendimento médico após o ataque.
“7 de setembro seguinte eu estava com ele, lutando pela sua vida na Santa Casa de Juiz de Fora enquanto cada um de vocês estava já nas ruas lutando pelo Brasil. Ontem, completaram 8 anos e ele está mais vivo do que nunca”, declarou.
Na sequência, o candidato associou a condenação de Jair Bolsonaro aos processos relacionados à tentativa de golpe de Estado a uma nova agressão contra o ex-presidente.
“Deram uma segunda facada em Bolsonaro. Essa farsa que foi 8 de janeiro. Essa farsa que condenaram um homem correto, um homem honesto, um homem que tem Deus no coração, por crimes que ele não cometeu. Foi a segunda facada”, afirmou.
O STF já condenou 29 réus acusados de integrar a organização criminosa que tramou o golpe de Estado, em quatro ações penais relacionadas aos episódios de 8 de Janeiro. Sete condenados já cumprem pena, entre eles Jair Bolsonaro.
Flávio também disse fazer campanha utilizando colete à prova de balas e afirmou que estaria disposto a cumprir a missão política deixada pelo pai. “Por providência divina, a missão que Bolsonaro passou para o filho primogênito, eu estou encarando mesmo que a minha vida esteja em risco e fazendo campanha com colete à prova de bala porque sei do que a esquerda é capaz. Eu faço campanha com colete à prova de bala porque sei que o povo brasileiro é o colete do Brasil, que defende nossa democracia. Vão tentar uma terceira facada, não só em mim, mas nos meus aliados, eu estou avisando.”
Ataques a Alexandre de Moraes
Outro alvo central do discurso foi o ministro Alexandre de Moraes. Flávio afirmou que era necessário “proteger” o Supremo Tribunal Federal do magistrado. “Nós temos que proteger o STF de Alexandre de Moraes, aquela laranja podre. O Supremo não é Alexandre de Moraes. A magistratura não é Alexandre de Moraes”, declarou.
O ato ocorreu dias após a repercussão de mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e Moraes, que apontam uma relação de proximidade entre o ministro e o então controlador do Banco Master à época dos fatos investigados.
As críticas ao magistrado também retomaram uma pauta presente em manifestações anteriores da direita. Em atos realizados na Avenida Paulista nos últimos anos, manifestantes já haviam defendido o impeachment e a saída de Moraes do STF.
Guerra contra ‘narcoterroristas’
Flávio aproveitou o discurso para apresentar propostas nas áreas de segurança pública e saúde. Entre as medidas anunciadas, afirmou que pretende declarar guerra ao que chamou de “narcoterroristas” e classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
“A partir de janeiro do ano que vem, vou declarar guerra aos narcoterroristas. PCC e Comando Vermelho vão ser declarados terroristas. Eles estarão presos ou neutralizados pela polícia. Eu vou trabalhar para reduzir a maioridade penal, cortar impostos, ter castração química de abusador de mulher, e ladrão de celular vai ficar preso no mínimo 8 anos.”
Na área da saúde, o candidato prometeu elevar o padrão do Sistema Único de Saúde (SUS). “A saúde pública vai ser padrão Einstein. O nosso SUS vai ser padrão Einstein, como nosso ministro. Vai ser um Brasil que não depende de político para levar comida para dentro de casa. A minha candidatura é de protesto, para configurar que o Brasil tem jeito, tem futuro. Eu vou cuidar do Brasil”, ressaltou.
Aliados sobem ao palco
O ato também reuniu nomes da direita e aliados de Flávio Bolsonaro. Participaram da manifestação o governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito Ricardo Nunes (MDB), Guilherme Derrite (PP), André do Prado (PL), Sergio Moro (PL), candidato ao governo do Paraná, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL).
Tarcísio pediu votos para Flávio e para candidatos da direita ao Senado e afirmou que nenhuma autoridade está acima da Constituição.
Ricardo Nunes também declarou apoio à candidatura de Flávio, além de pedir votos para Tarcísio, Derrite e André do Prado.
Derrite afirmou que pretende combater o crime organizado a partir de 2027. “Ou os criminosos mudam de país, ou serão presos ou neutralizados no Brasil. Ninguém aguenta mais”, disse.
Já Valdemar Costa Neto relacionou a eleição de Flávio à situação de Jair Bolsonaro. “Só tem um jeito. O Jair Bolsonaro vai ficar preso mais 10 anos se o Flávio não for eleito. Se o Flávio for eleito, Bolsonaro estará com a gente no dia seguinte. Estamos juntos para a vitória”, afirmou.
Nikolas Ferreira também atacou Alexandre de Moraes e disse que uma eventual vitória de Flávio mudaria a composição futura do STF.
Grupo contrário é dispersado
Enquanto o ato reunia apoiadores de Flávio Bolsonaro, um grupo de manifestantes da esquerda foi dispersado pela Polícia Militar na Avenida Paulista.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, o grupo tentou invadir o espaço destinado aos apoiadores do candidato, na região do cruzamento entre a Rua Peixoto Gomide e a Alameda Santos. Policiais militares e agentes da Guarda Civil Metropolitana intervieram para evitar confronto.
De acordo com o boletim de ocorrência, a PM utilizou agentes químicos e força para dispersar os manifestantes e restabelecer a ordem. A SSP informou que não houve registro de incidentes graves.
Fonte: Metro 1
