Flávio Bolsonaro é investigado no STF sobre financiamento de “Dark Horse”

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Investigação sobre o financiamento
A decisão de Mendonça foi tomada em julho e tornou-se pública após documentos do caso Master serem divulgados pelo STF. A investigação específica sobre Flávio, porém, continua sob sigilo. Mensagens reveladas pelo Intercept Brasil indicam que o senador pediu R$ 131 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme, dos quais R$ 60 milhões teriam sido pagos, conforme planilhas apreendidas pela Polícia Federal (PF).
O pedido para investigar Flávio partiu da PF e recebeu autorização da Procuradoria-Geral da República (PGR). No despacho, Mendonça autorizou a abertura do procedimento para verificar se houve crimes no financiamento da produção. “A Polícia Federal requer a instauração de PET sigilosa em apartado, vinculada ao INQ 5026, para apurar a possível prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos, que teriam sido praticados, em tese, pelo Senador da República Flávio Nantes Bolsonaro, no contexto de financiamento para a produção de obra cinematográfica denominada Dark Horse junto ao Banco Master do banqueiro Daniel Bueno Vorcaro (…) Autorizo, nos termos do artigo 21, inciso XV, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, a instauração de procedimento investigatório vinculado ao INQ 5026 para apuração da hipótese criminal delineada pela autoridade policial”, escreveu Mendonça.
Flávio nega irregularidades e afirma que os recursos usados no filme foram privados. Na quinta-feira, durante agenda de campanha em Roraima, voltou a defender essa versão: “Não há um centavo de dinheiro público. Pode revirar do avesso”. A prestação de contas completa da produção, entretanto, ainda não foi apresentada. A produtora informou gastos à Justiça, mas permanecem sem esclarecimento todos os detalhes sobre o financiamento feito por meio do fundo Havengate, sediado nos Estados Unidos.
Outras frentes da apuração
O caso também envolve suspeitas sobre transferências feitas por Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, apontado como operador financeiro de Vorcaro. Segundo a Folha, ele relatou à PGR sete transferências ao Havengate que somaram US$ 12,3 milhões. A investigação busca esclarecer se recursos ligados ao ex-banqueiro foram destinados à produção e se parte deles poderia ter beneficiado Eduardo Bolsonaro.
Há ainda uma investigação separada, conduzida pelo ministro Flávio Dino, sobre possível uso irregular de emendas parlamentares no financiamento do filme. A PF apura repasses feitos pelo deputado Mário Frias (PL-SP) ao Instituto Conhecer Brasil, presidido pela empresária Karina Gama, ligada à produtora da obra. A suspeita é que os valores tenham passado por empresas antes de chegar à produção. A PF investiga possíveis crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e irregularidades em licitações.
Fonte: Metro 1
