Luz, cama e ação: entenda o fetiche de se filmar transando
Em tempos de sex tapes vazados, especialistas explicam o que está por trás do ato e como fazê-lo de forma mais segura

FOTO: GETTY IMAGES
De acordo com a terapeuta e sexóloga Luísa Miranda, a produção de sex tapes tem a ver com vaidade e a brincadeira em torno de observar a própria performance. “Pode ser divertido e servir de repertório para a masturbação do próprio casal, que, em vez de usar o pornô tradicional, utiliza algo que é seu”, explica.
Ao contrário do que muitos pensam, a especialista diz que o ato de se filmar é diferente do voyeurismo – em que as pessoas gostam de observar pessoas em atos sexuais, ou mesmo ser observado por pessoas de fora nestes momentos. “Ser visto ou ver o outro está mais ligado ao exibicionismo”, esclarece.
Vale ressaltar que, tanto a auto filmagem quanto o voyeurismo não são limitados à penetração – os fetiche de se ver, ser visto ou ver o outro envolvem qualquer momento íntimo sexual.
Bateu curiosidade?
Se a decisão de se filmar foi tomada, o próximo passo é levar a ideia ao(à) parceiro(a) – já que, é claro, a primeira coisa a ser levada em conta é o consenso. “Qualquer proposta deve ser muito bem conversada. Além disso, é preciso uma maturidade sexual que, infelizmente, não é muito comum. De resto, é importante uma relação de confiança entre o casal”, aponta.
Independente de qualquer outro fator, há alguns cuidados que podem – e devem – ser tomados para evitar que situações indesejadas, como a exposição do vídeo, aconteçam. “Dá para ter o cuidado de deixar à meia luz, fazer uma coisa que não precise ficar tão explícita e que mostre muitos detalhes das pessoas envolvidas, o que facilitaria uma eventual identificação”, aconselha a sexóloga.
Luísa ainda alerta que, mesmo havendo confiança prévia entre o casal, é importante ter cuidado. “A gente nunca acha que algo de ruim vá acontecer com a gente, mas, se tratando de pessoas, é sempre bom ter um pé atrás”, indica.
Ih, vazou!
Como nem tudo são flores, a exposição da intimidade é a principal consequência negativa de se filmar. Ainda que a invasão e compartilhamento de conteúdos íntimos e pessoais sem autorização seja crime previsto na Constituição, é uma situação que se repete com frequência.
Existem, inclusive, alguns casos famosos de vazamentos de nudes ou sex tapes no mundo das celebridades. Um dos primeiros e que mais teve projeção, foi o da atriz Carolina Dieckmann que teve o computador invadido e diversas fotos suas foram expostas em 2012. A invasão serviu como inspiração para nomear a Lei 12.737/2012, sancionada no mesmo ano para tipificar os delitos ou crimes informáticos.
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Jonas Sulzbach é “perseguido” por referências a um vídeo íntimo vazado em 2012, na época em que estava confinado na casa do Big Brother Brasil. Até hoje, o ex-bbb se depara com piadas sobre o conteúdo do vídeoFoto: Reprodução Internet
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Em 2012, a atriz Carolina Dieckmann viu sua intimidade exposta ao ter diversas fotos vazadas na internet por conta de hackers que invadiram seu computador. O caso teve tanta projeção que deu origem a Lei Brasileira 12.737/2012, sancionada no mesmo ano para tipificar os “delitos ou crimes informáticos”. A lei leva o nome da atrizFoto: Reprodução Internet
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Em 2017, o ator José Loreto também foi vítima do vazamento de um vídeo íntimo. O material foi feito dez anos antes sem sua permissão Foto: Reprodução Internet
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Há cerca de um ano, Luisa Sonza teve uma foto nua, que teria tirado para o marido Whindersson Nunes, postada em sua conta do Instagram por hackers. Em entrevista, a cantora disse não saber como tiveram acesso à imagem, mas que desconfiava que sua senha do iCloud (serviço de armazenamento da Apple) tivesse sido roubadaFoto: Reprodução Internet
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Felipe Neto ficou surpreso ao saber, em 2018, que um vídeo seu em momentos íntimos, gravados três anos antes, foi exposto e compartilhado na internet. Alguns momentos depois, o youtuber fez um vídeo em seu canal explicando o ocorrido e anunciando que iria tomar as medidas legais cabíveisFoto: Reprodução Internet
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Protagonista do que deve ser um dos mais famosos casos de vazamento de sex tape, Kim Kardashian apareceu na mídia e começou a ganhar destaque após a exposição, em 2007, de um vídeo em que ela aparece em momentos íntimos com o então namorado Ray JFoto: Reprodução Internet
No caso disso vir a acontecer, a terapeuta diz que o indicado é tentar manter a calma para não “inchar” o acontecimento, além de tomar as providências legais. “Se a gente não tem como controlar algumas coisas, é melhor não fazer. O que eu sugiro é maturidade na hora de registrar, porque as consequências podem ser ruins”, finaliza.
Como guardar com segurança
O mais indicado em casos de sex tapes, é assistir e, logo depois, apagar – e, mesmo assim, ainda pode dar algo errado. Porém muitas pessoas, além de se filmar, gostam de guardar o material para ver novamente depois.
De acordo com o administrador de redes de dados Marcos Vinícius Cosac, não existe uma maneira 100% segura de armazenamento, sendo o mais recomendável que nem se produza este tipo de conteúdo. “Existem diversos sistemas de armazenamento e segurança, mas todos são vulneráveis e podem ser invadidos. Até a Nasa e o Pentágono já sofreram ataques”, avalia.
Como, de qualquer forma, há quem faça e guarde as sex tapes, o especialista afirma que a forma mais segura de armazenamento é uma que não deixe o material entrar em contato com a internet. “Se cair na internet uma vez, jamais vai sair de lá. Hoje existem HDs externos que criptografam os dados e exigem senha para acesso, além de virem com tecnologias que evitam a perda do conteúdo em caso de danos”, diz.
Para redobrar a segurança, o HD pode ser guardado em cofres dentro de casa ou mesmo em bancos. “O lado ruim é que, ao mesmo tempo em que se dificulta a invasão de terceiros, o acesso do próprio dono do HD é mais limitado do que seria em uma nuvem, por exemplo. Vai variar se a prioridade é o fácil acesso ou a segurança”, finaliza Marcos
Fonte: Metrópoles