Entrevista Especial – Mês da Mulher Blog Jivanildo Bina entrevista a Psicóloga Maria Helena Bina
Blog Jivanildo Bina: Quem é você e como define sua trajetória pessoal e profissional?
Maria Helena Bina: Sou Maria Helena da C. Bina Leys, psicóloga, a segunda filha de uma família com sete irmãos e irmãs. Sou casada com Benoni Eduard Leys e mãe de Belena Luana e Emanuel Luan. Considero-me uma mulher corajosa, lutadora e vencedora. Sou filha de agricultores familiares e trabalhei na agricultura até os 19 anos e 9 meses, quando vim para a cidade estudar “sem lenço e sem documento”, como diz a música. Fui eleita vereadora por três mandatos: 1992, 2004 e 2008, período em que me sentia realizada e feliz na política. Também fui primeira-dama por duas vezes, em 2008 e 2013. Atualmente atuo como psicóloga e, às vezes, trabalho com projetos culturais.
Blog Jivanildo Bina: Quais mulheres mais influenciaram sua vida e sua história?
Maria Helena Bina: A força da minha mãe, das minhas e dos meus ancestrais e das demais mulheres rurais. As lutadoras, as feministas, as vencedoras que vieram da classe trabalhadora; as corajosas e vitoriosas da política; as que resistiram à ditadura; as que estudaram em tempos difíceis e até fizeram faculdade. Também me inspiram as mulheres que sofrem, mas dão a volta por cima, a ex-presidente Dilma Rousseff e as mulheres da minha convivência. As sem letramento formal, mas inteligentes; as letradas. Enfim, todas aquelas que me serviram de exemplo.
Blog Jivanildo Bina: Em que momento você percebeu a força do seu papel como mulher na sociedade?
Maria Helena Bina: No trabalho nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) da Igreja Católica, nos movimentos sociais rurais, nos sindicatos (STR), nos movimentos de mulheres, como o MMTR, na política de esquerda, no PT e nas lutas pelos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, em especial das mulheres rurais.
Blog Jivanildo Bina: Quais foram os maiores desafios que você enfrentou por ser mulher?
Maria Helena Bina: Nas candidaturas a vereadora enfrentei muito machismo. Alguns homens cortavam até o microfone para que eu não falasse, mudavam minha voz no som e até queriam me proibir de discursar nos comícios, porque eu sou boa de oratória, era aplaudida e tinha minhas e meus admiradores. Achavam que eu iria tomar o lugar deles. E, por incrível que pareça, havia mulheres que infelizmente ficaram contra mim e ao lado deles. Além da história da luta e da cultura do machismo no Brasil, hoje entendo ainda mais, como psicóloga, questões relacionadas à baixa autoestima, feridas emocionais, traumas, educação familiar recebida, heranças ancestrais, entre outros fatores.
Blog Jivanildo Bina: Já sofreu algum tipo de preconceito ou discriminação? Como lidou com isso?
Maria Helena Bina: Já, mas levantei, sacudi a poeira e dei a volta por cima. Minha autoestima sempre foi alta e, às vezes, eu até revidava (risos).
Blog Jivanildo Bina: O que te deu forças para não desistir diante das dificuldades?
Maria Helena Bina: O ideal e os objetivos da minha vida: querer que o povo simples e trabalhador tivesse melhores condições de vida, como tem hoje, com direitos garantidos e conhecimento desses direitos. Hoje tenho a consciência tranquila. Deito e durmo em paz, sabendo que consegui meus objetivos, com Lula e o PT na presidência e no poder. Fico alegre e feliz por ter cumprido meu papel. Valeu a pena ter lutado e conquistado através da luta.
Blog Jivanildo Bina: Qual conquista pessoal ou profissional mais te orgulha?
Maria Helena Bina: O reconhecimento do povo por ter sido uma vereadora atuante e honesta, que cumpriu o seu papel de legisladora. Fiquei na história de Inhambupe e espero que minha vivência sirva de exemplo para outras mulheres. Assim como eu cheguei onde pretendia, elas também podem chegar. Não é fácil, mas não é impossível. Tudo é possível. Fiz duas faculdades: Direito e Psicologia. Também lutei para que as pessoas conhecessem mais os direitos das mulheres, principalmente sobre o Dia da Mulher, 8 de março, que antes não tinha tanta visibilidade. Foi uma grande conquista instituir o feriado municipal do Dia da Mulher, algo importante para todo o município de Inhambupe.
Blog Jivanildo Bina: Que sonho você realizou e qual ainda deseja realizar?
Maria Helena Bina: Muitos sonhos eu já citei que consegui realizar, mas ainda tenho outros, como ver criada a Secretaria Municipal da Mulher. Também sonho com um tempo em que as mulheres não sofram mais violência doméstica nem feminicídio. Quero ver mais mulheres na política e ocupando espaços de poder, e famílias vivendo em paz, felizes, sem nenhum tipo de violência, principalmente neste momento em que o povo tem tido melhorias econômicas e sociais.
Blog Jivanildo Bina: O que você acredita que ainda precisa mudar para que as mulheres tenham mais oportunidades?
Maria Helena Bina: As mulheres precisam participar mais da política partidária. Também é fundamental investir na educação formal e trabalhar questões como machismo, direitos e violência com os estudantes, desde a creche até a faculdade. Além disso, é importante oferecer apoio psicológico para as mulheres e suas famílias.
Blog Jivanildo Bina: Como você avalia o espaço que a mulher ocupa hoje na sociedade?
Maria Helena Bina: Considero muito bom. Muitos direitos já foram conquistados, mas ainda precisamos avançar principalmente na área da política e nos espaços de poder.
Blog Jivanildo Bina: O que ainda precisa avançar em relação à igualdade de direitos?
Maria Helena Bina: É de suma importância avançar em todas as áreas profissionais e contar com o apoio dos homens que estão no poder e dos homens em geral. Também é necessário apoio financeiro real para as candidatas, e não apenas candidaturas femininas usadas para cumprir a cota obrigatória da lei, as chamadas candidaturas “laranjas”.
Blog Jivanildo Bina: Qual o papel da mulher na transformação social da sua comunidade?
Maria Helena Bina: Sempre teve e sempre terá uma grande importância. A mulher tem força, resistência, competência e uma grande capacidade de transformação com o seu jeito de ser, principalmente aquelas que lutam por um mundo melhor.
Blog Jivanildo Bina: Que mensagem você deixaria para outras mulheres, especialmente as mais jovens?
Maria Helena Bina: Que ela pode, eu posso, elas podem. Todas nós podemos ser o que quisermos, em qualquer área, seja profissional ou política. Depende do querer, do ideal e do objetivo pessoal que faz cada uma feliz. Espero ter sido uma luz e um exemplo para as mulheres deste município, principalmente para as meninas, os jovens e as jovens adultas.
Blog Jivanildo Bina: O que significa para você o Mês da Mulher?
Maria Helena Bina: É um mês muito importante de reflexão, estudos e trabalhos sobre a importância e o papel da mulher. Durante o restante do ano, muitas vezes esse tema passa despercebido diante do piloto automático em que grande parte da população vive. Ter um mês e um dia para parar, pensar e aprofundar sobre esse ser tão importante para a sociedade mundial, brasileira, nordestina, baiana e de Inhambupe é fundamental.
Também é necessário refletir sobre um assunto muito preocupante: a violência doméstica e o feminicídio, um verdadeiro câncer no Brasil que precisa ser combatido e interrompido. Trata-se de um mal social e familiar que causa muito sofrimento às famílias, aos filhos das vítimas e a toda a comunidade. A vida humana é sagrada. Isso não é amor, é uma doença social. A psicologia pode ajudar muito nesse assunto, principalmente por meio da educação e do trabalho em diferentes áreas.
A entrevista reforça a importância da valorização da mulher e do reconhecimento de suas lutas, conquistas e contribuições para a sociedade. O blog jivanildobina.com segue celebrando histórias que inspiram e transformam neste mês de março.
Por: jivanildobina.com




