O BLOG JIVANILDO BINA ENTREVISTA a PSICÓLOGA Maria Helena Bina Leys

Blog Jivanildo Bina: Quem é a psicóloga Maria Helena Bina Leys?

Maria Helena da C. Bina Leys: Sou uma mulher pertencente à classe trabalhadora, filha de agricultores familiares, trabalhei na agricultura até os 18 anos e 10 meses. Sempre quis estudar, vim  morar na zona urbana em março de 1983 para estudar, pois na época não tinha as facilidades para os estudantes da zona rural como atualmente: como transporte e a possibilidade de estudar na cidade e morar na própria comunidade da zona rural.

Militante e lutadora pelos direitos dos trabalhadores (as) e fundadora de vários movimentos de trabalhadores (as) rurais e em especial o de mulheres e o político do PT (Partido dos Trabalhadores) e o sindical, STR de Inhambupe MMTR dentre outros da região.

Na área da formação acadêmica profissional fiz magistério em 1990 e acalentei o sonho de fazer faculdade até 2009 com a chegada de Lula e o PT no poder e conceder a oportunidade dos trabalhadores (as) rurais ou urbanos, mulheres, índios, negros, jovens e adultos da classe social mais humilde, de poder cursar uma faculdade e eu como pertencente a essa classe fiz a faculdade de Direito e me formei em Bacharela de Direito em 2014, pela UNIRB, Universidade Regional da Bahia em Alagoinhas. Logo depois, tive a oportunidade de realizar outro sonho e realizei que é ser Bacharela em Psicologia pela Faculdade do Santíssimo Sacramento de Alagoinhas e atual psicóloga e terapeuta a quais já estou atuando.

Fui vereadora por 3 mandatos pelo PT:

– 1º Mandato de 1992 a 1996;

– 2º Mandato como vereadora mais votada de Inhambupe-Ba de 2004 a 2009;

– 3º Mandato de 2009 a 2012.

Primeira dama por 2 vezes: agosto 2008 a dezembro de 2009 e de janeiro de 2013 a dezembro de 2016.

Defensora dos humildes, discriminados, marginalizados, das mulheres em situação de violência dentre outras minorias. Casada com Benoni Eduard Leys ex-padre, e ex-prefeito e vice-prefeito. Mãe de 2 filhos: Belena Luana e Emanuel Luan. Já viajei por vários Estados do Brasil, entre eles a capital Brasília. Visitei a Europa por duas vezes, em 2002 e 2009 conhecendo a Bélgica, Alemanha, França e Portugal. Participei de um Encontro de Mulheres Rurais da 2º ENLAC da América Latina e do Caribe no México em 2005, com a presença de mulheres de 20 países.

Blog Jivanildo Bina: psicóloga Maria Helena quando você iniciou a sua carreira de psicóloga?

Maria Helena Bina Leys: Iniciei a carreira de psicóloga em 2019 durante o estágio que fiz o ano todo em Inhambupe na Sede do Sindicato dos Trabalhadores (as). Rurais e na Sede do MMTR local. Também no PSF de Araçás Mirim, no município de Araçás,  o meu Professor Querido Amarildo Sacharam, Secretário de Saúde, me convidou e eu abracei esta oportunidade onde ganhei experiência com atendimento de mais de 8 pessoas a cada sexta feira. Aproveito para agradecê-lo e por ter sido o meu supervisor. Escolhi a abordagem de Psicodrama como prioridade na minha carreira profissional de psicóloga com complemento com as demais abordagens. Gratidão. Fiz atendimentos também na Clínica Escola da Faculdade Santíssimo Sacramento, localizada na antiga DIREC em Alagoinhas, onde faz atendimento psicológico gratuito para pessoas de baixa renda do município de Alagoinhas e de toda a região. Estes atendimentos são realizados pelos estagiários de Psicologia do 9º e 10º semestre.

Blog Jivanildo Bina: psicóloga Maria Helena atualmente onde você está atendendo?

Maria Helena Bina Leys: Estou atendendo em um consultório que montei na minha residência, com toda privacidade que a Psicologia exige, com os materiais adequados para realizar um bom trabalho, principalmente na área da abordagem do Psicodrama. No momento, devido a pandemia do COVID-19, estou atendendo pelo WhatsApp. Tomei esta decisão, pois não quero me expor e nem expor os meus clientes. Já que a psicologia oferece esta possibilidade, eu optei por este atendimento online. Porém quando essa situação se normalizar, vou ficar com as duas opções, online e presencial, porque tem clientes que optam porque gostam de uma forma ou de outra. Estou gostando muito dessa minha nova profissão e os clientes também, é só elogios. Porque seja qual for à profissão, o profissional deve ser dedicado no trato com o outro, o ser humano que precisa dos serviços sejam eles públicos ou privado, essa é a tese que eu defendo. E sempre o que eu fiz foi como uma missão, um sacerdócio, com todo empenho e dedicação dando o melhor de mim, foi sempre assim e sempre o será. No momento que não der para dar o melhor de mim, mudarei de profissão, quantas vezes for necessário. Pois a minha felicidade no trabalho e o bem-estar do (a) cliente é o que conta e a satisfação pessoal, a melhora seja lá qual for, é o que me faz bem e de consciência tranquila que estou fazendo o melhor. Já fiz outros cursos e continuo fazendo para me aperfeiçoar mais ainda, juntando o útil ao agradável: Curso de Terapias complementares, Constelação Familiar, a Gratidão Transforma, entre outras.

Posso deixar o meu contato para os seus seguidores (internautas):(75) 99926-2267 Maria Helena Terapeuta.

Blog Jivanildo Bina: psicóloga Maria Helena o que fez você ingressar na carreira da Psicologia?

Maria Helena Bina Leys: É a realização de um sonho antigo desde que conheci a Psicologia em 1997, que me apaixonei. Na época do vestibular para Direito em 2007 tive que fazer “Papai do Céu”. E ela ficou como segunda opção. Assim que me formei em Direito em março de 2014. Em fevereiro de 2015 iniciei o curso e conclui em dezembro de 2019. Diante da situação vivenciada ao longo dos 30 anos no meu trabalho social e, sobretudo com as mulheres em situação de violência percebi que a luta e o direito são importantes, mas trabalhar as questões emocionais é de extrema importância para as pessoas saírem do ciclo vicioso em que se encontram tanto na área da violência como em outras também. O ser humano é um todo, corpo físico, o psicológico, o espiritual e a saúde mental é muito importante, é um bem-estar necessário. Na verdade, durante o meu trabalho social eu fiz o papel de advogada e de psicóloga mesmo sem ser oficialmente e ter essas graduações. Afinal tem mais de 40 anos que eu faço o mesmo tipo de trabalho, desde os 14 anos iniciei isto quando morava na minha comunidade rural e agora aos 56 anos vi a necessidade de mudar. Pena que não saí aposentada pelo que tenho direito e pelo trabalho exercido, por todo esforço e dedicação ao longo desses anos, mas isso é outro papo para outra oportunidade.

Nessa minha nova etapa de vida profissional vou contribuir do mesmo jeito com as pessoas do meu convívio social ou não, porém de forma diferente, agora com a saúde mental que também é um direito de todos (as) pelos quais lutei durante longos anos. Coloco-me a disposição de todos (as) nessa nova empreitada. Gratidão. Foi muito bom tudo o que fiz na área social e política, só tenho a agradecer a todas as pessoas que diretamente e indiretamente trabalhamos, lutamos e convivemos juntas com o mesmo objetivo e ideal e alcançamos graças a Deus. Sou grata eternamente a todos, a Lula e ao PT.

Blog Jivanildo Bina: psicóloga Maria Helena qual a importância de um atendimento com um psicólogo na vida das pessoas nesse momento difícil que vivemos de enfrentamento ao COVID-19? ´

Maria Helena Bina Leys: É de suma importância para o bem-estar da pessoa e para a sua saúde psicológica. Pois muitas pessoas nesse momento estão passando por diversos problemas como: medo da morte, medo de adoecer, de perder o ente querido, depressão (que é considerado o mal do século), síndrome do pânico, ansiedade dentre outros, e às vezes nem sabem que podem procurar ajuda a um (a) psicólogo (a), que é o profissional capacitado para acolhê-lo nesse momento único, difícil e desconhecido o qual todos nós estamos vivendo. E é importante salientar que um bom número de pessoas dispõe de um celular e não precisa sair de casa se não quiser ou estiver com medo. Portanto o medo de sair de casa para procurar ajuda não vale como desculpa. Quanto a questão financeira é uma questão de prioridade, do que é que priorizamos em primeiro lugar na vida de cada um, e se a saúde mental é uma prioridade a pessoa vai dar um jeito. Por mais simples que sejam as pessoas, tem algum móvel dentro da casa e com certeza custa mais do que uma consulta com o psicólogo (a). Como psicóloga faço votos que saibamos definir as reais prioridades em nossas vidas. Têm psicólogos (as) no mercado que trabalham com o social, que podem fazer pacotes, cobrar a taxa social, etc… A psicologia é uma ciência nova e ainda existe muito preconceito a respeito, onde algumas pessoas acham que não vão fazer terapia, pois não sou louco (doido), mas eu posso afirmar que quem nunca foi está perdendo uma grande oportunidade, mas nunca é tarde para um dia começar. Muitos paradigmas estão sendo quebrados a respeito dessa ciência nova que é tão importante na área da saúde. Essa pandemia veio nos mostrar que temos problemas emocionais que nos atrapalham de viver uma vida saudável e com o bem estar que merecemos.

Essas doenças emocionais já existiam, mas com a pandemia se revelaram o que já estava dentro da pessoa. Por isso houve o aumento. Essa é minha opinião.

Blog Jivanildo Bina: psicóloga Maria Helena sobre o isolamento social que as pessoas estão vivendo na sociedade por conta do COVID-19, qual a importância de manter-se em isolamento nesse momento atual?

Maria Helena Bina Leys: É uma oportunidade única de todas as pessoas do mundo inteiro parar e deixar de olhar para o externo e começar a olhar o interno, ou seja, para dentro de cada um. O mundo parou o que uma guerra com armas não conseguiu fazer. Um ser minúsculo quase invisível fez dar um stop em tudo, pois o mundo e a maioria de nós vivíamos no piloto automático. O vírus mostrou para aqueles que não achavam que todos nós somos iguais, independente de sexo, classe social, raça, religião, etc …, mostrou que todos nós somos seres mortais e que, desde que nascemos cada dia nos aproximamos da morte, queiramos ou não. Que o homem mais rico do mundo tem o mesmo valor do mais pobre da terra. O COVID-19 nos deu a condição de voltarmos para os nossos lares, nossas famílias, nos mostrou que não somos vítimas e sim que somos responsáveis pelas nossas vidas e pela vida dos demais irmãos. Que devemos nos preservar e preservar a vida dos outros, usando máscaras, mantendo a distância social de 2 metros, usar álcool gel, lavar as mãos, dentre outras medidas de prevenção. Voltamos para sermos solidários uns com os outros e mostramos o nosso lado bom que temos dentro de nós. Para quem acredita em Deus é a prova que Ele é o comandante do universo e que devemos cuidar mais da natureza, já que afirmam que o vírus veio de uma relação entre o ser humano e os outros seres vivos que existem no planeta a qual devemos preservar e respeitar. Acredito que depois dessa pandemia o mundo nunca mais será o mesmo, não voltaremos a ser o que era antes, e a vida de cada um de nós nunca mais será a mesma. Espero que o mundo seja bem melhor depois dessa quarentena. Um mundo melhor é possível. Só depende de todos nós, seres humanos.

Blog Jivanildo Bina: psicóloga Maria Helena quais fatores podem levar a violência doméstica e o que a caracteriza?

Maria Helena Bina Leys: São muitos fatores, acredito. A questão cultural da nossa sociedade, onde sempre colocou a mulher em um papel inferior, um papel de passividade e submissa ao homem, reforçado pelo Estado, religião, família e outros setores,

O machismo é outro fator que contribui, onde os homens se acham donos das mulheres, onde a mulher é tratada como objeto, coisa, e não um ser humano com direitos e deveres. A educação também tem contribuído pela forma como foi implantada e permanece até os dias atuais onde as mulheres não são valorizadas e até a literatura deixa a desejar, onde a língua portuguesa não se reforma para se adaptar ao sexo feminino. Por exemplo: nos diplomas, nas falas são masculinas (vereador), mesmo para uma mulher vereadora. Como as crianças são educadas no seio familiar, com diferenças entre os meninos e as meninas, até mesmo pelas mães que reforçam estas inferioridades entre as meninas. O menino é educado para o espaço público e a mulher para o espaço privado. Já houve muitos avanços com a luta das mulheres feministas, pelos homens apoiadores, mas muito ainda falta avançar.

No momento tem mulheres neste período de quarentena que estão em perigo constante vivendo na mesma casa 24 horas com o agressor. Faz-se necessário a toda a sociedade ficar atento para poder ajudar a salvar vidas, não só se protegendo a si e aos outros por causa do novo corona vírus, mas desse vírus visível que é a violência doméstica contra a mulher e o feminicídio. Mulher, fique atenta se está sofrendo esse tipo de violência, denuncie nas farmácias, essa é a campanha atual. Procure ajuda.

Blog Jivanildo Bina: psicóloga Maria Helena, somente as mulheres são vítimas de violência doméstica ou há casos de homens que também são vítimas?

Maria Helena Bina Leys: De acordo com a Lei Maria da Penha, Lei 11.340/06, só a mulher pode viver em situação de violência e é acobertada pela referida Lei. Pela questão cultural da nossa sociedade machista e preconceituosa, a mulher é considerada inferior na maioria dos lares brasileiros. Quanto ao homem, ele não é coberto pela Lei Maria da Penha. No caso do homem ele precisa recorrer à Lei normal, a Lei Penal, a comum para todos. Se a violência acontecer dentro de casa, ou entre casais, sejam eles namorados, ex, esposos, ou seja, todos aqueles que convivam no seio familiar, até mesmo entre mulheres como sogras e noras, nas relações homo afetivas aplica-se a Lei Maria da Penha. O homem não é considerado como vítima de violência doméstica e familiar.

Blog Jivanildo Bina: psicóloga Maria Helena, há como identificar um companheiro que se torna violento?

Maria Helena Bina Leys: Não está escrito na testa do homem, a identificação é feita pela própria companheira, o que pode acontecer sinais tipos de violência desde a época de namoro. Pode ser que alguns já são reconhecidos pela família e pela comunidade, mas a mulher acredita que com ela que ele ama não vai acontecer. A violência não é só a física, ela existe de várias formas e muitas vezes elas são silenciosas e as mulheres nem sabem que estão vivendo uma relação abusiva, imagine a sociedade. A psicológica afeta a mulher de maneira invisível, mas que traz vários danos para quem sofre no que se refere a saúde mental, afetando a vítima. A sexual que algumas mulheres sofrem quando são obrigadas a manter relação sexual, ter ou não ter filhos ou algo que afeta a sua dignidade sexual.

A patrimonial é quando a mulher sofre por parte do companheiro onde o mesmo faz o uso indevido dos bens da mulher, tomando posse, destruindo, impedindo de trabalhar ou forçando o trabalho para o seu bem pessoal.

Física, agressões, marcas externas e internas, chegando até a morte, como vemos em nosso país. O feminicídio é uma realidade dura e cruel para todos nós. Quando chega nessa já passou por todas as outras e isso acontece entre os 2 a 10 anos de relacionamento. A violência doméstica foi o meu tema da monografia no Direito onde eu pesquisei e debati sobre “Violência Doméstica e Família, contra a mulher e a Lei Maria da Penha. Desafios a sua eficácia”.

Já na Psicologia eu segui o mesmo assunto ”Violência Doméstica”, mas com outro víeis, a área da saúde mental. O tema do Artigo foi: “ Quais danos psicológicos sofre uma mulher vítima da violência doméstica”.

Blog Jivanildo Bina: psicóloga Maria Helena, os amigos e familiares têm algum papel nesse caso? Como ajudar alguém que sofre com esse problema?

Maria Helena Bina Leys: Tem um papel muito importante apoiando a mulher que vive uma relação abusiva, pode também ser através da denúncia, através de incentivo para que a mulher procure a justiça ou a área de saúde, ou outros meios pelos quais ela saia daquela situação que pode lhe causar danos físicos, mentais psicológicos e em muitos casos chegam até ao óbito. Além dessas pessoas familiares e amigos qualquer pessoa, vizinhos, etc., pode fazer a denúncia. Assim como agora nós estamos nos prevenindo as nossas vidas e das outras pessoas, preservar a vida de uma mulher vítima de violência é um dever de todos os cidadãos que se considera cristão e ser humano.

Nesse sentido que entra um papel importante que é do psicólogo pois a mulher em situação de violência tem baixa autoestima e fica vulnerável na mão do agressor. E ela precisa de apoio para se libertar pois existe o círculo vicioso: violência, perdão, reconciliação, violência…

Não é falta de força de vontade que uma mulher nessa situação chega a óbito, são outras nuances que estão por trás, dentro do coração e da cabeça dessa mulher.

Também não é porque ela não tem vergonha ou gosta de apanhar, são questões enraizadas culturalmente que é muito difícil que não cabe julgar e condenar a vítima. Se não há a colaboração de todos: sociedade, governo, religião, saúde, educação, formal ou não, para vencer esse vírus visível, difícil de combater e acabar. Mas não se pode perder a esperança.

As mães e mulheres também tem um papel importante. A responsabilidade é de todos os homens e de todos nós.

Sem falar que precisamos proteger as crianças que são as vítimas invisíveis da violência. Não vivemos isolados, vivemos em sociedade e essas crianças são os homens e mulheres de amanhã com as quais iremos conviver e que serão os responsáveis pela nossa sociedade. Pensemos nisso!

Blog Jivanildo Bina: psicóloga Maria Helena, como você vê a questão da origem do preconceito, principalmente nessas ações do cotidiano, de onde vem essa intolerância ao que é diferente? Pode-se dizer que é algo que nasce com a gente, que seria uma construção social?

Maria Helena Bina Leys: É como a questão da violência doméstica e familiar contra a mulher, é uma questão cultural, educacional, familiar e social. É um conjunto de vários fatores e não uma situação isolada. No Brasil vem da nossa origem, da nossa história como foi construída a sociedade brasileira, de senhores e escravos, índios e europeus, essa mistura de raças que nos afeta de forma positiva, mas também negativamente até os dias atuais onde o branco é considerado melhor do que o negro, o homem em relação a mulher, a riqueza versus pobreza, o urbano e o rural e assim sucessivamente,

Temos um preconceito institucionalizado e há quem afirma que ele não existe no nosso país e que todos somos iguais, em muitos casos são explícitos ou não, mas ele traz um dano irreparável na nossa sociedade, paga-se um preço alto com esta situação. Nem uma Lei é capaz de acabar, ela inibe as situações, camufla mas existe,  é uma forma jurídica viável para que a situação não piore a cada dia. Em um caso ou outro ela tem validade, mas no geral o que vemos é a maioria dos negros jovens morrendo. A maioria dos pobres são negros (as), os trabalhos braçais e menos pagos como empregados domésticos dentro de outras atividades de baixa remuneração e pouco reconhecimento e valor social.

Blog Jivanildo Bina: psicóloga Maria Helena, há um infeliz ditado que diz: “que tapa de amor não dói”. Por que muitas pessoas acham que agressões podem se provas de amor?

Maria Helena Bina Leys: Quando eu falo de cultura, esses ditados fazem parte também, como à violência doméstica e familiar contra a mulher tem também a sua história e como ela foi perpetuada em algumas culturas. Vista de forma naturalizada pela sociedade apesar da luta das mulheres ao logo dos anos, das leis existentes, entre elas a Lei Maria da Penha, de reconhecimento nacional e internacional como uma das melhores leis nessa área. Esses ditados serviram também para camuflar e perpetuar, naturalizar a violência doméstica, empoderar e acobertar o homem violento. E a sociedade aderiu esses ditados do senso comum, repetido até por mulheres, infelizmente, mostrando assim o poder do homem sobre a mulher e ela sendo vista como objeto na mão do marido, como se o que acontece dentro da casa não fizesse parte da sociedade. Quando uma mulher é agredida toda a sociedade perde com isto.

Quando acontece um crime como tráfico de drogas nas casas, quando não se trata de violência doméstica, é responsabilidade da Justiça e da Lei do Direito, por que entre homens e mulheres não? Amor não combina com agressão, esses ditados são machistas, preconceituosas e é de descriminalização e interiorização da mulher e do poder, da posse dos homens e dos machos. E não podemos falar, aceitar para não haver um reforço.

Blog Jivanildo Bina: psicóloga Maria Helena, Por favor, sinta-se à vontade para fazer suas considerações finais.

Maria Helena Bina Leys: Quero agradecer ao blogueiro Jivanildo Bina pela oportunidade de dar uma entrevista no seu blog. O convite já me foi feito mais de uma vez, mas como tudo tem a sua hora, a minha é esta.

Agradeço também a todos os internautas por estarem nesse momento lendo esta minha fala. Espero que tenham conseguido me entender e que possa contribuir com cada um dos leitores (as) principalmente aqueles que estão no momento precisando de uma palavra amiga, nesse momento confuso na vida de todos. Para aqueles que estão vivendo alguma situação de sofrimento psicológico, que procurem ajuda, existem vários profissionais de psicologia espalhados pelo nosso município e fora dele, entre eles eu sou uma que mim coloco a inteira disposição dos que precisam, agora pela internet e depois também presencial. Quanto às mulheres que estão vivendo relações agressivas, tome uma decisão: uma vida sem violência é um direito da mulher do campo e da cidade. Quanto aos outros é o nosso dever salvar vidas, as nossas e as demais. Quero destacar aqui a importância da internet, dos meios de comunicação tecnológico, principalmente nesse período de pandemia para informar a população.

Parabéns, Jivanildo Bina, por essa iniciativa, Deus o abençoe com o seu papel importante nessa área para todos os seus seguidores. Vou terminar, pois gosto demais de falar e escrever e com a profissão de psicóloga precisa escutar mais e falar menos. Gratidão, gratidão, gratidão. Sou grata, sou grata, sou grata. Obrigada Senhor pela vida, pela saúde e por essa oportunidade. Até a próxima.

Maria Helena da C. Bina Leys Psicóloga,Bacharela em Direito.

Por:Jivanildobina.com

Fotos:JB

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